Jovens - [ 12/4/2005 às 4h20h00 PM ]
Crente fazendo careta
por: Tonho
Rapaz (ou rapariga), você não imagina o quanto de e-mails e textos recebo com títulos do tipo: “Basta!”, “Estou cansado”, “Farto de hipocrisia na Igreja”, “Abaixo à imoralidade evangélica”, “Precisamos de uma Nova Reforma” e por aí vai. Eu não sei se atraio pessoas indignadas ou se essa insatisfação é algo que está mesmo contagiando os crentes.

E isso é bom ou é ruim? Como a maioria das coisas, essa também tem dois lados. Penso que o positivo é que as pessoas estão se conscientizando que não precisam dizer “amém” pra todas as coisas, que têm direito à opinião e possibilidade de melhorar uma situação indesejável. Por outro lado, também fico preocupado com muitas coisas que tenho lido. Quero contar algumas pra você analisar se tenho razão.

Minha primeira preocupação é com a nossa teimosia e individualismo. Alguém já disse que a Igreja Brasileira é doente porque não cresceu como fruto do trabalho missionário, mas como uma conseqüência das incontáveis divisões em denominações e igrejas locais. “Eu creio nas línguas de fogo”, “Eu não creio” e duas congregações se formaram. “Eu quero bateria”, “Eu não quero!” E mais uma vez ocorreu a multiplicação por divisão (por mais paradoxal que isso pareça). É possível que testemunharemos mais um grande número de divisões, mais histórias de falta de compaixão e tolerância entre irmãos... e tudo isso por merreca doutrinária.

Concordo que precisamos de mudança, acho que a maioria concordaria com essa afirmação geral em algum sentido. Porém, a mudança que queremos não é a mesma. Apesar dos e-mails e textos que recebo terem o mesmo título, cada um deles foca-se em algum ponto específico. O tema vai da discussão do crente poder ou não ir a parques de diversão até a verdadeira identidade do anticristo. Portanto, antes de juntar-me ao coro de “Reforma já!”, é importante que se defina por qual transformação lutaremos e de que maneira pretendemos atingi-la.

Ainda dentro dessa classe de textos, tenho recebido alguns de pessoas que chamarei de “líderes indignados”. São pastores com igrejas grandes e pequenas que resolveram ser a oposição da atual situação presente. A maioria deles se apóia em uma imagem de inteligência reforçada por um discurso acadêmico diluído que, aparentemente, vem agradando os insatisfeitos. Mas minha preocupação não é com discurso – e eu não vou ficar julgando pregação de pastor inteligente porque sou um simples “Zé Mané” que nem diploma tem. A pergunta que faço é: além do discurso, no que esses “líderes indignados” são tão diferentes dos outros?

Se alguém tiver respostas, por favor me mandem, foi uma pergunta sincera. Mas quero citar um exemplo. Eu vivia lendo textos de alguns deles falando mal de pastores que se envolvem com política, falando de Ética e piriri-pororó. Porém, nas eleições passadas vi a cara deles em santinho de candidato. Ué, mas o fulano não estava indignado contra esse tipo de coisa?! Estranho...

Eu tô escrevendo esse texto porque eu sou a solução pra todos esses problemas! Há – brincadeira! Mas então, por que raios eu estou escrevendo isso?   

Em primeiro lugar porque estou na fila de pessoas com uma idéia transformadora a ser aprovada. Minha idéia é um plágio de uma idéia meio antiga. Não é uma nova forma de louvor, uma mudança radical em liturgias de cultos, uma nova unção, uma benção diferente, um protesto contra um comportamento ou pecado, nem ao menos é uma idéia inteligente. Talvez por isso minha idéia seja tão impopular. Eu acho que a gente podia mudar o mundo assim: amando uns aos outros.

Sei que existem zilhões de definições de amor. Como sou burro, a minha teve que ser simples (porém difícil): meu amor é o de Cristo. E por isso acho que não existe amor sem morte. Eu quero amar, mas não desses amores por aí... o respeito mútuo e caridade pregado por espíritas, MTV e outros é muito pouco. Isso sem falar no amor intolerante, seco e acadêmico de alguns evangélicos. Eu quero morrer pra poder viver pra Deus e pro próximo. Esta é minha idéia na qual se baseia minha maior revolução, minha grande indignação é contra mim mesmo. Confesso que não é uma revolução fácil e é um tanto solitária. Ela não rende discursos acalorados nem arrebanha os insatisfeitos com pedras nas mãos. Meio chato, não?

Pois é, mas foi a melhor idéia que tive. Talvez você se indigne contra ela também, talvez você se junte a mim nessa revolução. Não importa muito, até porque essa revolução só eu posso parar... mas não vou, vou continuar tentando, sofrendo muitas derrotas, algumas vitórias até eu poder destronar esse meu ego ditador e viver a mudança que quero ver no mundo. 

Tonho é um dos fundadores do underground




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