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Jovens - [ 21/7/2005 às 12h12h00 PM ]
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E a esperança... pra onde foi? |
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| por: Tonho |
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Estou assistindo os discursos e inquirições dessa CPI pela televisão - não se assuste, esse não é um texto político. Ontem (20 de julho de 2005), foi um dos dias mais tristes. Entre as poucas perguntas, muitos discursos de parlamentares de todos os partidos. As palavras dos petistas chamaram especialmente a minha atenção. O deputado José Eduardo Cardozo disse que ouviu de um colega socialista: “O PT não pode errar”. Implícita nessa frase estava o medo de que se o PT errasse, o ideal socialista poderia sofrer um golpe fatal. Senti que assistia a um funeral. Parecia que as pessoas estavam enterrando um sonho e esperanças que foram mantidas por 25 anos. Alguns usavam palavras vãs para esconder o prazer na desgraça alheia, outros se negavam a crer nos indícios e protestavam, outros calaram. A atmosfera fúnebre era quase onipresente.
Os mais vermelhos vão discordar desse meu atestado de óbito, os outros vão dizer que ele está bem atrasado. Mas, independentemente da discussão desse caso específico, penso que vivemos a época da morte dos ideais. No século passado, tantos proclamaram ter a solução para o mundo – nazistas, comunistas, anarquistas. Todos ideais passados que frustraram multidões. Sobraram apenas alguns remanescentes sem voz ou meio mancos, como o punk que faz propaganda de celular. Talvez um evangélico vá dizer: “Jesus é a solução!” E esse grito ecoará vazio porque tantos já ouviram Jesus, mas poucos viram a solução.
Eu vou concordar: a solução é Jesus. Mas não podemos cair no mesmo erro dos jesuítas, que achavam que iriam criar um Brasil melhor catequizando as pessoas. O país foi quase todo catequizado e isso não impediu a ditadura, a corrupção, a violência nem as diferenças sociais. Provavelmente não impediu que centenas de milhares de brasileiros fossem condenados eternamente.
Então vieram os protestantes e achamos que o problema foi a catequização que não tinha sido bem feita. Faltava ao Brasil conhecer a doutrina certa do evangelho. Então, passamos a catequizar novamente. Décadas de muito trabalho, e conseguimos quase 30 milhões de catecúmenos e prosélitos. E esses milhões fizeram a diferença no Brasil, certo? Não sei.
Saio nas ruas e vejo um abismo social ainda maior. Recentemente a dona de uma loja foi escolhida como sacrifício para expiar esse problema que é de responsabilidade de toda a sociedade. Ligo a televisão e cada dia se ouve mais denúncias envolvendo líderes eleitos por nós. Pior, vou às igrejas e ouço falar de divisões, apatia e, às vezes, presencio brigas entre “irmãos”. Provavelmente centenas de milhares de brasileiros de todas as religiões continuam a ser condenados eternamente. Trinta milhões depois e o que mudou? Alguém pode me dizer?
Repito, creio que Jesus pode fazer diferença. Negar isso seria negar minha vida. Porém, não acho que apenas crer em Jesus faz diferença. “A fé sem obras é morta”. Temos que viver, seguir e obedecer a Jesus. Temos que voltar às palavras de Jesus e fazer discípulos que saibam guardar tudo que Cristo ensinou! Temos que retornar ao modelo pastoral de Jesus, ao pastor que dá a vida pelas ovelhas, ao pastor que vai buscar a ovelha perdida. Mas quais dos “grandes pastores” de hoje têm condições de ir buscar a ovelha perdida se nem o nome dela eles sabem? Que pastor dá a sua vida pela ovelha, se ele nem tem tempo de ouvir os problemas dela? O evangelho é pregado no atacado e isso não é suficiente para fazer discípulos.
Uso o púlpito quase semanalmente. Acho que do púlpito podemos emocionar platéias, conquistar admiradores ou inimigos, passar conceitos ou, na melhor das hipóteses, instigar algumas pessoas ao arrependimento. Mas não vejo como fazer discípulos do púlpito. Discípulos são feitos na caminhada, no barco de pesca, no sofá ou ao redor da mesa. Discípulos demandam relacionamento e sacrifício.
Podemos seguir esse caminho e continuar pensando que a doutrina boa produz a pessoa boa. Esse foi o erro dos fariseus. Talvez até “conquistemos o Brasil pra Jesus”. Teremos um país cheio de evangélicos, elegeremos até um presidente evangélico. Seremos como os Estados Unidos, o país mais evangélico do mundo. Talvez possamos até bombardear o México e matar todos os católicos que perseguem evangélicos em Chiapas e destruir a Colômbia caçando os militantes das FARC.
A Bíblia diz que há tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar. Talvez já tenhamos rido muito e dançado bastante. Talvez seja tempo de pararmos para chorar um pouco. Chorar pelas pessoas e porque temos falhado em dar esperança real de transformação para elas. Creio que seja tempo dos 30 milhões saírem das suas igrejas e viverem Cristo no meio do povo. Creio que é hora de nos relacionarmos e amarmos radicalmente o outro, tempo de fazer discípulos que não só creiam, mas imitem Cristo. |
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Tonho é um dos fundadores do underground
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