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Jovens - [ 26/4/2006 às 10h46h00 AM ]
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Batalhas espirituais |
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| por: Tonho |
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Nos anos noventa entrei em contato com o movimento de “batalha espiritual”. Na época e na minha cabeça o movimento parecia estar no mundo inteiro. De fato, mais tarde verifiquei que essas doutrinas conquistaram muitas fronteiras. Com elas surgiu a polêmica: quebrar maldições é bíblico ou não? Enquanto se discutia, participei de conferências temáticas e entrei na onda do negócio. Dessa fase resta uma lembrança engraçada. Meu amigo John faz questão de recordar o pé gigante que recortei de um pedaço de papelão. Levei o pezão para a igreja e, nos momentos que a banda cantava: “Satanás está de baixo dos meus pés”, eu pilava o pezão no chão!
Lendo a Bíblia, aprendi a ter mais temor a Deus e não debochar ou insultar seres espirituais, pois “Nem mesmo arcanjo Miguel fez isso. Na discussão que teve com o Diabo, para decidir quem ia ficar com o corpo de Moisés, Miguel não se atreveu a condenar o Diabo com insultos, mas apenas disse: ‘Que o Senhor repreenda você!’” (Judas 9)
Anos mais tarde, já com certa distância, pude fazer uma análise mais sóbria dessa minha passagem. Não quero reacender esse debate teológico. Apenas proponho uma reflexão prática sobre os efeitos de tanta batalha espiritual.
Um dos argumentos do movimento é que não conseguimos evangelizar e ministrar às pessoas porque o mundo, países, estados e cidades estão sob a autoridade do demônio. Segundo essa teoria, Satanás tem autoridade para operar por causa de pactos feitos no passado, estátuas, centros de macumba, nomes de rios ou montanhas que foram consagrados a ele. É preciso que todas as urucubacas sejam “quebradas” pela oração para que o Espírito Santo possa agir livremente.
Crendo nisso, muitos passaram a tentar desvendar os segredos demoníacos: quais eram os pactos satânicos e lugares consagrados? Como quebrar essas maldições? Várias teorias foram formadas. Ouvi de gente que deu 7 voltas em São Paulo tocando corneta, outros que mijaram ao redor de sua cidade para marcar o território do Leão de Judá, pastores que lavaram a igreja com vinho e fulana que fez um “mapa espiritual” contendo os mais diversos templos religiosos do Brasil. Sem contar as tantas orações. Foi uma quebradeira e amarração pra ninguém botar defeito.
Porém, não se viu resultado substancial desse esforço. O Diabo continua operando de forma bem similar à anterior ao movimento. Basta assistirmos televisão para testemunharmos guerras, bundas, injustiça, pizzas, fome, patuás, etc. Infelizmente a esperada explosão do cristianismo no mundo não seguiu todas as quebras de maldições feitas.
Houve um erro estratégico. A Bíblia diz: “As armas que usamos na nossa luta não são do mundo; são armas poderosas de Deus, capazes de destruir fortalezas. E assim destruímos idéias falsas e também todo orgulho humano que não deixa que as pessoas conheçam a Deus. Dominamos todo o pensamento humano e fazemos com que ele obedeça a Cristo” (2 Co 10.4-5). Parece que esquecemos de ler o quinto versículo. A batalha espiritual não é contra rios, montanhas, estátuas, prédios ou coisas que defuntos fizeram. Não é dessas coisas que vem o poder do Diabo. Mas é de idéias falsas, orgulho e pensamentos humanos. Ou seja, Satanás opera porque deixamos ele entrar em nossa cabeça e coração. É por esse território que devemos lutar!
Eu bem que gostaria que o problema do coração humano pudesse ser resolvido em uma tarde de libertação com um pouquinho de óleo de Israel e uma corneta de chifre de carneiro. Isso tornaria a guerra mais fácil. Mas para ganharmos almas é preciso sacrifício, dedicação e amor. É preciso estar com as pessoas.
Mas não desanimemos. Pode ser que perdemos uma batalha, mas a luta já está ganha. Então vamos sacudir a poeira, esqueçamos os erros do passado e avancemos para conquistar a única coisa pela qual Deus está interessado em lutar: corações.
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