19 acampamento underground

Quando conhecemos a realidade dos nossos irmãos em países fechados ao evangelho, não há como não se envolver. Temos todos a mesma fé, fomos chamados para o mesmo propósito, somos todos da mesma igreja, a igreja de Cristo. Veja como entender essa verdade mudou a visão de mundo de uma voluntária do UG:

Minha história com a Igreja Perseguida, eu não consigo explicar. 

Eu me lembro de ter seis anos de idade e estar voltando do Acampamento Betel com a minha tia e uma amiga dela. Essa amiga era de Guiné Bissau (se eu me lembro bem), e nesse dia elas estavam conversando sobre perseguição. Falaram sobre tortura, sobre como a perseguição era uma promessa para todos os que seguem a Cristo. Eu estava deitada no banco de trás do carro, fingindo que estava dormindo e a única coisa que eu conseguia pensar era: “Quando isso chegar no Brasil, eu vou morrer! Não posso falar que eu não amo Jesus, então vou morrer!”.

Desde esse dia, eu sempre evitei o assunto “Igreja Perseguida”. Anos passaram, eu me afastei de Deus e voltei pra Deus. Logo quando voltei pra igreja, dois amigos comentaram comigo que queriam muito ir no acampamento underground porque era uma simulação da Igreja Perseguida. Eu travei e pensei: “Não vou jamais”. A lembrança daquele dia no carro era tão assustadora como quando eu tinha 6 anos de idade.

Passou um tempo, e logo quando o grupo que tinha viajado para o Quirguistão com a Portas Abertas voltou foi organizada uma visita do UG na minha igreja. Estevão e Daniel compartilharam sobre a viagem. Alyne fez uma pequena simulação de como seria um culto escondido, no escuro, sussurrando. Nos reunimos para orar pela Igreja Perseguida e alguma coisa mudou instantaneamente dentro de mim. Foi como se literalmente eu sentisse uma mão dentro de mim mudando a chave do medo para a chave do amor. Eu não consigo explicar direito. Foi como se eu de forma literal entendesse quando a Bíblia fala “O verdadeiro amor lança fora todo medo”.

A sequência de fatos depois disso eu não sei colocar muito bem em ordem. Fui às reuniões de oração, acampamento, me tornei voluntária do acampa e de tradução, e o amor só tem crescido. Pertencemos à mesma igreja, a de Cristo. E quando entendi isso foi difícil não estar junto.